A Videira Verdadeira (2): Permanecer para Frutificar

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Neste domingo, na nossa série “Podes Crer”, voltamos à minissérie “A Videira Verdadeira”, onde estudamos a última declaração de “Eu Sou” de Jesus no evangelho de João. Tendo estudado o pano de fundo histórico e bíblico da imagem da vinha/videira, observamos o retrato novo que Jesus ofereceu no Seu discurso (Jo 15.1-6).

Primeiro, Jesus ressignificou a imagem da vinha com a declaração que Ele é a videira verdadeira. O povo de Israel entendia a vinha como símbolo nacional, mas Jesus estava declarando que Ele era a videira genuína; a fonte vital da qual Israel, e de fato todo o mundo, poderia extrair uma vida espiritual. Para os judeus, essa declaração seria absurda, pois só Deus podia afirmar isso. Em seguida, Jesus afirmou que Deus Pai é o Agricultor, reforçando o ensino histórico que Ele é o Deus soberano, o dono da vinha, Aquele com poder de decisão sobre a videira e os ramos. Como nos retratos anteriores, há uma expectativa de produtividade: o Agricultor espera achar frutos na Sua vinha. Portanto, a terceira parte da imagem é a ação do Agricultor com respeito aos ramos que estão na videira. Ele é visto tomando duas ações: os ramos infrutíferos são cortados e removidos, enquanto os ramos frutíferos são podados para que produzam mais fruto.

Vimos que ao explicar um pouco mais, Jesus usou um trocadilho na língua grega para demonstrar essa dinâmica. Os ramos improdutivos são removidos da videira (airei), mas os produtivos são apenas limpados (kathairei, literalmente “limpar”, mas com a conotação de “podar” nesse contexto). Esse jogo de palavras é reforçado pela próxima declaração: “vocês estão limpos”, (katharoi, ou “puros”), o mesmo termo que Ele usou no cenáculo para declarar, após lavar os pés dos discípulos, que “vocês estão limpos, mas nem todos” (13.10). Por que, “nem todos”? Porque Judas Iscariotes ainda estava entre eles. Eles estavam sendo limpados pela palavra, mas Judas seria cortado fora, pois não cria em Jesus.

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Observamos que há pelo menos duas questões no texto que podem levar a conclusões erradas sobre a natureza da salvação. Primeiro, alguns entendem que o “permanecer” é uma ação unilateral e condicional, ou seja, o indivíduo tem que se esforçar para manter sua posição na videira, ou perderá sua salvação. Isso leva naturalmente à segunda questão: alguns concluem que v. 6 está falando sobre pessoas salvas (“em mim”) que não produzem, portanto perdem a salvação.

A melhor maneira de responder essas questões é entender que, no que diz respeito aos ramos, o texto não fala de dois tipos de ramos frutíferos, mas a distinção entre ramos que produzem fruto, e aqueles que não produzem. A pergunta pertinente é: quem são esses ramos? O ramo infrutífero é uma pessoa salva ou não? Convém esclarecer esses pontos com as seguintes perguntas, para que não haja confusão:

Será que existe algum descrente frutífero? O texto afirma que é impossível produzir fruto sem Cristo. “Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira” (v. 4). Isso não significa que o descrente é incapaz de fazer coisas aparentemente boas. Mas aos olhos de Deus, “nenhuma carne [ou seja, ninguém] será justificada diante dele pelas obras da lei” (Rm 3.20, ACF). A conclusão lógica é que é impossível uma pessoa não salva produzir fruto. Por quê? Porque “…sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” (v. 5)

Será que existe algum crente infrutífero? A produtividade do ramo não depende do esforço pessoal do indivíduo, mas é resultado natural de estar em Cristo. Como pode existir alguém que está verdadeiramente conectado ao poder eterno de Jesus Cristo e ainda assim não produz fruto que demonstre essa ligação? Jesus afirmou, “se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto” (v. 5). E caso alguém imagine que esse “permanecer” aponta para o esforço pessoal, convém lembrar o que já vimos: o ramo não produz fruto por si mesmo.

Devemos chegar à seguinte conclusão: onde não há fruto, não houve salvação. Portanto, os ramos infrutíferos são pessoas não salvas. Como podemos entender que estão “em Cristo”, então? Da mesma maneira que vemos nitidamente hoje: muitos professam fé em Deus, em Cristo, até afirmam ter “nascido de novo”, etc., mas não produzem frutos que apontam para uma conexão vital com a videira verdadeira.

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Ao longo da minissérie falaremos mais sobre o que é (e o que não é) “permanecer” em Cristo, mas nesse domingo fizemos uma aplicação bem específica desse texto para a nossa igreja: permanecer em Cristo significa participar do Seu Corpo, especificamente no que diz respeito à igreja local.

Uma série de fatores—a ênfase exagerada na auto-estima, o foco desequilibrado na igreja universal invisível, a desvalorização de liderança eclesiástica bíblica, etc.—tem levado à infidelidade dos membros aos encontros e atividades da igreja local. Em contradição direta a princípios como “não abandonar a congregação” (Hb 10.25), muitos cristãos têm a impressão que podem viver a sua caminhada cristã sem uma conexão real com um corpo local.

Aqui estão alguns sintomas dessa dinâmica:

Falta de relacionamento formal como membro de uma igreja local.

Participação marginal ou infrequente dos cultos e das atividades regulares da igreja local.

Participação em muitos eventos e atividades de várias igrejas, sem compromisso real com uma igreja local.

Substituição da participação local pelo uso de mídias e mensagens online para o crescimento pessoal isolado.

Falta de prestação de contas com outros membros de uma igreja local.

Falta de contato regular e real com outros cristãos num contexto de igreja local para viver a mutualidade.

Falta de participação financeira na igreja local.

Numa folha de papel, faça uma apuração da sua vida “em Cristo” por meio do Seu corpo, a igreja. Sua vida demonstra fruto que provém de uma conexão real com Cristo? Sua vida demonstra algum desses sintomas de alguém que professa estar em Cristo, mas não vive de forma saudável a sua vida como corpo dEle? Há como separar o permanecer em Cristo da vida no corpo? Que passos práticos você pode tomar para permanecer nEle por meio da igreja?

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Dia 1

João 15.1-17

Dia 2

João 13.1-13

Dia 3

Romanos 12.1-8

Dia 4

1 Coríntios 12.1-28

Dia 5

Efésios 4.1-16

Dia 6

Colossenses 2.16-23

Dia 7

Hebreus 10.19-31

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