O Cenáculo (4): O Espírito e a Revelação.

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Neste domingo, na minissérie “O Cenáculo” (Jo 13.31 – 14.31), nós continuamos nosso estudo do discurso de Jesus aos Seus discípulos antes de ser traído, preso, e crucificado. Lembrando que o discurso todo se concentra na glorificação de Jesus (Sua morte, ressurreição e ascensão), estudamos o texto em que Jesus descreve a obra do Espírito Santo na revelação (Jo 14.15-27).

Além de chamá-Lo de Espírito da verdade no v. 17, Jesus diz aos Seus discípulos que o Espírito Santo “lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse” (v. 26). Há muita confusão na igreja hoje acerca da revelação. Muitos ensinam como se Deus estivesse, a cada momento, revelando coisas novas. A Bíblia, no entanto, diz que a dinâmica da revelação chegou ao seu auge na pessoa de Jesus:  “Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho (Hb 1.1, 2). Ou seja, ao longo da história humana, Deus tem, de fato, se revelado ao homem de diversas maneiras, mas Jesus Cristo é a maior e derradeira revelação de Deus—o próprio Deus encarnado, habitando entre nós. Por que o autor de Hebreus não falou dos apóstolos ou outros autores do Novo Testamento? Talvez seja porque esses homens escreveram para relembrar a vida de Cristo e dar significado à vida em Cristo. Passada aquela primeira geração de testemunhas oculares, não havia mais necessidade de revelar informações novas. Pela inspiração do Espírito Santo, a primeira vinda de Cristo e Sua volta iminente já estavam registradas para o proveito das gerações futuras, para que o cristão “seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra” (2 Tm 3.17).

Vimos que embora essa função de inspiração do Espírito Santo fosse apenas para os autores do Novo Testamento, também temos respaldo bíblico para entender que Ele continua iluminando o cristão de hoje (1 Jo 2.27). Em outras palavras, Ele ainda opera na vida do cristão para ensiná-lo a entender e aplicar as Escrituras inspiradas. Convém entender que essa iluminação não é nova revelação, mas entendimento acerca da Sua maior revelação—Jesus—e isso por meio da Sua Palavra.

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Vamos aplicar o que aprendemos sobre as obras à nossa vida espiritual.

Existe muita confusão acerca da palavra “revelação” no mundo cristão. Podemos aplicar alguns testes a essas “revelações”:

A “revelação” está levando pessoas a glorificar a Deus, ou ao homem? Recentemente, postaram um vídeo no Facebook de um jovem “revelando” Jesus em todos os livros da Bíblia. Os quase nove mil comentários elogiavam o rapaz e sua impressionante “revelação”. Mas ele estava, de fato, revelando Jesus nas Escrituras? Se podemos ver Jesus nas páginas da Bíblia, não seria porque Deus O revelou? É certo glorificar o homem por apontar para a revelação de Deus, ou glorificar a Deus por revelar-se ao homem?

A “revelação” está simplesmente repetindo a mensagem já revelada das Escrituras? Isso não é revelação, é proclamação (se for feito corretamente). Devemos ensinar as Escrituras como foram reveladas, não como se fossem informações novas recebidas pessoalmente. Vemos exemplos de pessoas “profetizando” as palavras do Velho Testamento para vida de uma pessoa. Além de não ser profecia, normalmente é uma mensagem mal-interpretada e portanto mal-aplicada. Convém discernir.

Alguém diz que recebeu nova revelação que contraria a Palavra de Deus? Leia Gl 1.6-12. O que o apóstolo Paulo diz sobre alguém que prega “outro evangelho”? Que essa mensagem, na realidade, não é o evangelho! Que essa pessoa é anátema—amaldiçoada! É importante ressaltar que nesse mesmo texto Paulo está dizendo que, diferente de outros autores aos quais o Espírito Santo fez lembrar de momentos que presenciaram, ele recebeu revelação direta e especial (vv. 11, 12). Seu caso era especial, mas mesmo assim, estava de pleno acordo com o evangelho que os Apóstolos ensinavam.

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Vamos aplicar o que aprendemos sobre o Espírito Santo à nossa vida de forma prática.

Jesus disse, “Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse” (14.26). No caso, Ele estava descrevendo àqueles discípulos a obra do Espírito Santo neles, de recordar Suas Palavras, e no caso dos autores do Novo Testamento, escrevê-las.

Mas como fica então para os discípulos do século XXI? João também escreveu o seguinte sob a inspiração do Espírito Santo: “Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine; mas, como a unção dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele como ele os ensinou” (1 Jo 2:27).

Uma evidência da presença do Espírito Santo (a unção de 1 João) é discernimento. Não precisar que alguém os ensine não está menosprezando a função dos pastores e mestres na igreja, mas ressaltando a presença do Espírito da verdade no cristão. Você consegue discernir se alguém está oferecendo uma mensagem coerente com a verdade das Escrituras?

O discernimento do Espírito não é algo místico. As emoções e sentimentos que Deus nos deu não devem ser base para o nosso entendimento. Se não conhecermos a Sua Palavra, não há base para comparação que o Espírito possa usar. Em outras Palavras, da mesma forma que o Espírito lembrou os discípulos do que eles haviam ouvido, o Espírito hoje traz à recordação a Palavra que nós ouvimos (ou lemos). “A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17). Quanto da Bíblia você tem colocado em seu coração para que o Espírito possa fazer essa obra de iluminação e discernimento em sua vida?

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Dia 1

João 14.1-31

Dia 2

Hebreus 1.1-2

Dia 3

2 Timóteo 3.1-17

Dia 4

1 João 2.24-27

Dia 5

Gálatas 1.6-12

Dia 6

Romanos 10.13-17

Dia 7

2 Pedro 1.16-21

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