Nossa Mãe? O que a Bíblia ensina sobre Maria?

Clique aqui para visualizar o guia em PDF.

Ouvidos Atentos

“Nossa mãe”. É uma expressão tão difundida na sociedade e cultura brasileira que é usada até entre protestantes e evangélicos, pessoas que certamente não aderem à ideia da tradição religiosa que Maria é mãe de todos os cristãos da igreja. A proposta da mensagem deste domingo foi de desconstruir o que sabemos ou pensamos a respeito de Maria; de separar a Maria da tradição religiosa da Maria do texto bíblico e examinar não só o que a Bíblia diz (ou não diz) a respeito dela, como também estabelecer uma atitude correta para o cristão em relação à Maria.

O primeiro passo no estudo foi procurar entender porque uma expressão tão inocente como “nossa mãe” não é tão inocente assim. Vimos que é uma teologia que provém da tradição religiosa, e não do texto bíblico. Nesta tradição, a mulher Maria cresceu na sua importância na igreja institucionalizada ao longo dos séculos. Primeiro, ela foi, justamente, honrada como mãe de Jesus. Mas no século V, o concílio de Éfeso determinou que já que Jesus é homem e Deus, Maria deve ser mãe de Deus. A noção opera junto com outros dogmas da igreja referentes à Maria: a Concepção Imaculada, que diz que Maria também foi concebida sem pecado, e que para muitos significa que ela continuou sem pecado por toda a vida; a centralidade de Maria em eventos como o recebimento do Espírito no dia de Pentecostes; a Assunção, na qual Maria participou da ressurreição de Cristo, subindo ao céu de igual forma. Por meio destes e de outros dogmas, Maria tomou mais um passo e se tornou mãe da igreja, ou “nossa mãe”.

O segundo passo do estudo foi estudar o que a Bíblia diz a respeito de Maria, e a verdade é que diz muito pouco. Mateus e Lucas destacam Maria na história da anunciação e nascimento de Jesus; João destaca alguns momentos durante a vida de Cristo, e é o único a colocar Maria na crucificação; Marcos só fala dela uma vez, indiretamente como Jesus, filho de Maria. Atos tem apenas uma referência. Talvez mais importante, as epístolas, que estabeleceram doutrinas e ensinamentos de Cristo para a igreja primitiva, não ensinam nada sobre Maria. Qual deve ser a atitude bíblica em relação à Maria, então? Podemos enxergá-la como exemplo para nós. Ela é exemplo de uma mulher solteira que optou obedecer a Deus mesmo numa situação humanamente muito difícil. Como mãe, ela demonstrou a humildade e obediência a Deus ao criar o Filho de Deus. Ela também é exemplo para qualquer cristão. Como qualquer outra pessoa pecadora, ela precisou crer em Cristo para Sua salvação e para ser seguidora de Jesus. Ela é nossa mãe? Não, é nossa irmã em Cristo.

Corações Abertos

Vamos aplicar o que aprendemos à nossa vida espiritual. Para isso vamos expandir as lições que podemos aprender do exemplo de Maria. Precisamos ressaltar duas coisas: Maria é singular por ter sido escolhida para carregar no ventre o Verbo Encarnado e dar à luz o Salvador do mundo. Mas a Bíblia não ensina que ela foi diferente dos outros seres humanos em qualquer outro aspecto. Viveu, teve outros filhos com seu marido José, e morreu, e agora espera o dia da ressurreição juntamente com todos os santos. Por outro lado, ela é um bom exemplo para nós porque é um dos raros exemplos bíblicos positivos; ou seja, alguém de quem a Bíblia não relata decisões erradas. Não quer dizer que ela viveu sem pecado, óbvio (Rm 3.10), mas que ela viveu uma vida exemplar e podemos imitar o seu bom exemplo.

Uma solteira exemplar. Já considerou a história de Maria? É possível que ela era adolescente, de uns 16 a 19 anos de idade (que seria idade normal para casar naqueles dias). Compare os dois seguintes aspectos da vida dela à sua vida, ou à vida de adolescentes hoje: ela era virgem, e ela estava disposta a obedecer a Deus, mesmo que isto lhe custasse a sua reputação ou até sua vida. E você, sua vida solteira teve estas qualidades? Você está criando os seu filhos para serem solteiros puros e obedientes a Deus?

Uma mãe exemplar. Ser pai (pai ou mãe) é uma grande responsabilidade. Com cada filho, damos início a uma vida que existirá para sempre em um de dois destinos, na eternidade com Deus, ou nos tormentos eternos do lago de fogo. Nosso propósito é apontar o coração dos nossos filhos em direção ao seu Criador, e ao único Salvador. A tarefa de Maria foi singular; ela estava criando o Filho de Deus. Pais, vocês estão criando os seus filhos para servir ao Filho de Deus?

Uma seguidora exemplar. Em cada momento da vida de Maria que temos registrado na Bíblia, vemos uma seguidora de Deus e de Jesus. Ela não questionava, até mesmo quando não entendia. Ela também estava entre aqueles que esperavam a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Embora não seja “nossa mãe”, ela certamente é nosso exemplo (entre muitos outros) de fidelidade, humildade e obediência.

Mãos Estendidas

Vamos por em prática o que aprendemos esta semana.

Hoje não vamos receber visitas do anjo Gabriel; também não temos razão para acreditar que Deus falará conosco de forma audível para nos contar os Seus planos. Por quê? Porque Jesus Cristo já veio e habitou entre nós. O grande plano de Deus já chegou ao seu auge na vida, morte e ressurreição de Cristo! Agora estamos vivendo o plano de espalhar as boas novas da salvação em Cristo até que Ele volte. Mas mesmo sem visitas angelicais e planos específicos revelados diretamente por Deus, nós temos, sim, o plano e propósito de Deus revelado nas Escrituras.

A grande pergunta é: qual a nossa atitude em relação ao plano de Deus?

A resposta de Maria, “Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra” (Lucas 1.38) ainda é um ótimo exemplo para nós.

Você é servo do Senhor?

Examine a sua vida. Analise uma dia da sua vida e considere quanto tempo e esforço é usado direta ou indiretamente para o plano e propósito de Deus. Quanto tempo é usado em coisas banais, coisas egoístas, coisas abertamente pecaminosas. Você pode dizer, verdadeiramente, que é servo de Deus?

Você permite a ação do Espírito Santo na sua vida pessoal?

Maria disse “aconteça comigo”—ela entendeu e se submeteu ao plano de Deus para ela. Quem está no controle da sua agenda e vida pessoal, Deus ou o seu eu? Está permitindo a ação de Deus na sua vida?

Você permite a ação do Espírito Santo na sua vida interpessoal?

Nós não fomos feitos para nós mesmos. A resposta humilde e obediente de Maria beneficiou a todos nós. Como você está permitindo que Deus aja por meio da sua vida para alcançar e abençoar as pessoas ao seu redor?

As suas atitudes e os seus comportamentos são coerentes com a Palavra de Deus?

“Tua palavra” no caso de Maria era a mensagem de Deus por meio do anjo. Para nós, a Palavra é a Bíblia. Você conhece o plano de Deus? Você vive em obediência aos mandamentos e princípios bíblicos?

Mentes Ocupadas

A nossa leitura bíblica desta semana:

Dia 1

Mateus 1-2

Dia 2

Lucas 1-2

Dia 3

Mt 12.46-50; Mc 3.31-35; Lc 8.19-21

Dia 4

Mt 13.53-58; Mc 6.1-5;
Lc 4.20-30; Jo 6.41-43

Dia 5

João 2.1-12

Dia 6

João 19.25-27

Dia 7

Atos 1.1-14

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *