Jesus e a Festa dos Tabernáculos (3): O Espírito, a Água Viva

Clique aqui para visualizar o guia em PDF.

Ouvidos Atentos

Neste domingo continuamos a nossa minissérie sobre Jesus na festa dos tabernáculos, no capítulo 7 de João. Como já observamos, esta festa marca a transição para um período de conflito no ministério de Jesus, que resume-se bem na afirmação do v. 43: “o povo ficou dividido por causa de Jesus”. Mais e mais, veremos as facções se concretizando nas suas opiniões; os líderes religiosos (os “judeus”) cada vez mais agitados, procurando como prender e matar Jesus; a multidão indecisa e polarizada, com alguns querendo prendê-lO, e outros chegando à conclusão que Ele deve ser realmente o Cristo.

A mensagem deste domingo enfocou na tremenda afirmação de Jesus Cristo: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (vv. 37, 38). O Evangelista esclarece que Jesus estava falando sobre a vinda do Espírito Santo, que até aquele momento não tinha sido dado. Mesmo sem um contexto histórico, a afirmação de Jesus já é importante. Claramente, Ele não estava falando de água literal, e sim de uma realidade espiritual. Ele estava oferecendo uma solução permanente para sede espiritual de qualquer pessoa que cresse nEle. Mas se acrescentarmos o contexto histórico que seria evidente para os judeus daquele tempo, a afirmação toma proporções épicas. Eles lembrariam da história em Êxodo 17 (e Nm 20) onde Moisés tirou água da rocha no deserto. Eles também entenderiam dentro do contexto da própria festa dos tabernáculos. Era a maior festa judaica do ano, onde celebravam a bonança da colheita dentro da terra prometida enquanto viviam em barracas por sete dias para lembrar do tempo de escassez no deserto. Traziam água do tanque de Siloé até o altar com grande festejo, pedindo a Deus pela chuva, e lembrando da Sua provisão. Em meio a estes momentos de grande celebração, Jesus estava declarando que Ele possuía a água viva—o Espírito Santo—para saciar a sede daquele que nEle cresse. Ele estava fazendo ligação entre a provisão passada de Deus no deserto e o Seu ministério presente. Dentro deste contexto, as implicações messiânicas são inegáveis.

Corações Abertos

Para fazermos a aplicação espiritual desta mensagem, precisamos lembrar do sentido da festa dos tabernáculos como contexto da afirmação de Jesus. A festa servia para lembrar uma coisa central: que Deus é Aquele que sustém o Seu povo. Tanto nas privações e dificuldades dos quarenta anos no deserto, como na chegada final à terra prometida, com a fartura que ali havia, Deus cuidava do Seu povo. A festa celebrava estes momentos, e as muitas ofertas—sacrifícios de animais, ofertas de cereais e bebidas e holocaustos oferecidos pelos pecados—serviam como memorial da provisão de Deus não só pelas necessidades físicas, mas as espirituais também.

Quem tem sede espiritual? Como falamos no domingo, a sede espiritual é tão natural ao homem quanto a sede física. Nós somos adoradores, não tem como ser outra coisa; a questão não é se adoramos, mas a quem (ou o que) adoramos. A fé em Cristo deve saciar a nossa sede espiritual. É possível que nós ainda tenhamos sede em certas áreas da nossa vida? Isso é porque Cristo é insuficiente? Que podemos fazer para permitir que a água viva também sacie nestas áreas? Jesus convida: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (v. 37).

A promessa é que o Espírito Santo—a água viva—fluirá do nosso interior quando cremos. Você já visitou uma nascente? Você precisou encher algum reservatório ou tanque para que a água jorrasse daquele local? A promessa é que o Espírito Santo fluirá como água de uma fonte. Se há alguma escassez na nossa vida espiritual, podemos presumir que a falta não é da parte de Deus—Ele oferece uma nascente, uma fonte de água viva. Qual é a nossa responsabilidade diante deste dom gratuito e sem fim de Deus? Jesus iguala o “beber” com o “crer”: a resposta é a fé. O segredo de ter essa fonte jorrando para todas as áreas da vida é crer em Cristo e remover os empecilhos para que flua sem impedimento, transbordando para outras pessoas.

Mãos Estendidas

Nós do estado de São Paulo temos experiência recente com a escassez de água. Fato triste é que a grande seca dos últimos anos aconteceu numa região tão rica em recursos hídricos. Sim, houve uma falta de chuva; mas o que levou à situação tão crítica foram os abusos humanos e a falta de gerenciamento adequado dos recursos.

Podemos observar um paralelo espiritual. Cristãos do século XXI têm à disposição mais recursos e ferramentas para divulgação do Evangelho do que qualquer outra geração anterior. Temos a mesma fonte infindável do Espírito Santo, potencialmente jorrando de cada cristão. “Potencialmente” por quê? Porque embora a fonte esteja presente, nem todo cristão está transbordando esta fonte para que outros sejam alcançados. Para alguns, as barreiras são falsas doutrinas que levam a focos e comportamentos que impedem a ação saudável do Espírito. Para outros, o egoísmo leva a criar “barragens” que mantêm uma bela lagoa artificial para alguns, mas que não transborda para fora da sua “panelinha” espiritual. Estamos anos-luz à frente daqueles primeiros cristãos em termos de tecnologias para distribuição da água—comunicação instantânea e gratuita para quase qualquer parte do mundo, mídias que permitem a divulgação 24 horas por dia—mas em termos práticos, somos menos eficazes do que aquelas pessoas, perseguidas por sua fé, que usavam apenas o seu testemunho pessoal (palavra falada), ou até o seu testemunho final (o martírio), mas não deixavam de fluir a água viva.

O que está impedindo a água viva (Espírito Santo) de fluir para todas as áreas de sua vida? Que passos práticos você pode tomar para remover estes obstáculos?

O que está impedindo você de transbordar e jorrar esta água para as pessoas à sua volta? Que passos você pode tomar para reconhecer e remover os obstáculos para um testemunho mais eficaz para as pessoas da sua família, seu trabalho, sua escola, etc.?

Mentes Ocupadas

Nossa leitura bíblica desta semana:

Dia 1

João 7.32-52

Dia 2

Levítico 23.34-36; 39-43

Dia 3

Números 29.12-40

Dia 4

Jeremias 2.9-13

Dia 5

Jeremias 17.5-13

Dia 6

Apocalipse 21.1-7

Dia 7

Apocalipse 22.1-21

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *